/Formação

10/nov/09 por Bob Ferraz

Produto de exportação: Rafael Moreno

FacebookTwitterPinterestEmail

Foto1) Faça uma trajetória da sua carreira até hoje.

Passei um bom tempo da minha vida estagiando em agência pequena, de varejo, porque minha ideia era ser escritor e não redator. Quando tinha um ano de formado, entrei na Aliança e comecei a me apaixonar por publicidade. Depois de um ano e meio lá, larguei tudo e vim pra Argentina, fazer um curso de criação na Brother, pra televisão. Voltei pro Recife com a cabeça completamente diferente, com um pouco da loucura dos argentinos e com muita vontade de trabalhar muito, de fazer coisa nova. Entrei no Gruponove e, em dois meses, fui pra Ampla. Pouco tempo depois fui fazer campanha política para o prefeito de Maceió. Aí voltei pra Ampla e fique até junho desse ano, quando decidi arriscar Buenos Aires outra vez. Depois de um mês de muita busca, consegui entrar na KepelyMata, que é uma agência muito bacana e tem o charme de ser independente. É uma butique criada pelo ex-diretor geral criativo e ex-vice presidente da Young&Rubicam, que abriu a agência com as contas da Budweiser, da Aiwa, da Philco, do Clarin, entre outras. Além disso, a ideia de ser escritor continua. Sempre, ou quase sempre, escrevo umas besteiras no www.elessabemdemais.blogspot.com, que divido com os também redatores Andre Mulhe e Maria Rita Angeiras.

2) Quais foram as maiores dificuldades que sentiu quando chegou?

Conseguir entrar numa agência. A crise aqui anda pesada, ninguém anda contratando. Eu ia pras entrevistas, mostrava a pasta, neguinho gostava, mas não tinha grana. Então saía me mandando pra diretores de criação de outras agências, o que era ótimo, pois a ideia era conhecer gente e esperar que, um dia, aparecesse algo. Numa dessas, o diretor de criação da BBDO me passou o contato do dono da KepelyMata dizendo: "vai ser difícil tu conseguires falar com ele, mas tenta." De primeira, consegui: marquei a entrevista e fiquei.

3) E as oportunidades?

Como tô há pouco tempo na agência, ainda não existem muitas. A que quero ter é a de fazer um filme bem argentino. Loucão. Não sei se dá pra encaixar na pergunta, mas uma coisa boa que aconteceu foi a vinda do meu dupla, Bruno Barbosa. Na semana que meus diretores de criação disseram pra eu encontrar um dupla, descobri que Bruno tava com passagem comprada pra cá. Chamei, ele topou e somos a dupla de brasileiros da agência. Fazem piada com a gente o tempo inteiro.

4) Uma curiosidade.

Aqui é tudo mais louco. Não é só impressão de quem tá de fora e vê os finalistas de Cannes. Por exemplo: a gente pensa num filme, do nosso jeito. Depois pára e se pergunta: e agora, que fazer pra ficar mais louco? E isso é muito bom. Nada é melhor do que criar para impressionar o cliente, ao invés de criar pensando “o cliente não vai aprovar isso” e fugir pro criativo-comportado. Também é um desafio muito grande, o que motiva ainda mais.

5) O maior desafio.

Escrever de maneira argentina. Não tenho problemas com a língua, mas tenho com o jeito deles de escrever. Não usam nossa escola Mohallen. É tudo direto, sem quebra, sem brincadeirinha, tudo em formato de conceito. A frase e pronto. O que também acho excelente, porque essa escola terminou há um bom tempo e ninguém no Brasil tem se esforçado pra mudar. Acho que vou aprender um bocado com isso.

6) O que o mercado nordestino pode aprender com esse mercado?

Muita coisa. Principalmente a deixar de ser comportado. Deixar de ser bundão. Acho que os criativos do Nordeste andam muito bem. Têm boas referências. Têm vontade de fazer coisa nova. Andam muito bem, mas esbarram no atendimento (que costumam vestir a camisa do cliente, não a da agência), no profissional de marketing (me dá alergia só de escrever) e do cliente. Não acho que o público seja o culpado disso. Acho que ele quer ver coisa boa, divertida, bonita. Mas o trio atendimento-cliente–marketing (atchim) acha que eles são burros. Todos têm muito medo.

Fora isso, acho que é bem importante tirar o setor de mídia da agência. Terceirizar a mídia como já fazem em tanto lugar do mundo, incluindo a KepelyMata, La Comunidad, Madre e Santo (só pra citar as argentinas). Assim, a agência não se preocupa em fazer televisão por causa de grana e começa a tratar o job de maneira diferente, buscando a melhor maneira de resolvê-lo, seja com internet, com uma ação ou até mesmo um filme pra TV. Pra isso acontecer, obviamente, o sistema de cobrança tem que ser diferente. Poucas agências no mundo descobriram como cobrar pela criação dessa maneira, mas as que descobriram são as que mais têm se destacado. E ganham dinheiro por mostrar um trabalho diferente, mais pertinente, mais estratégico, mais criativo.

Também acho importante ter um cara de planejamento. Faz uma diferença absolutamente incrível ter tudo mastigadinho. Todo mundo já sabe disso, mas ninguém contrata um planejamento bom. É uma ótima oportunidade pra um atendimento interessado fazer mais do que levar e trazer coisa da agência pro cliente. Também tem muito criativo que seria um excelente planner, melhor até do que criativo.

7) O que esse mercado pode aprender com o nordestino?

Essa pergunta deve ter tido várias respostas iguais à minha: a criar com o custo lá em baixo. Nada de foto, nada de ilustração, nada de efeitos especiais, nada de bons atores. A gente consegue se virar, e bem, com prazo apertado por causa disso.

8) Já pensou em desistir e voltar?

Ainda não.

9) O que os diretores criativos daí querem ver nos portfólios?

Querem ver ideias. Não tem essa de layout bonito ou milhares de títulos. Tem que ter ideia. Layout bonito não salva ideia ruim aqui. Se você é diretor de arte e tem uma pasta linda, mas com títulos ruins e conceitos ruins, já era. O diretor de arte pensa em título por aqui também. Não é tão dividido. Por sinal, acho que eles são ruins em direção de arte porque passam muito tempo pensando na ideia e pouco layoutando. Na pasta de um redator é mais ou menos isso também: querem ver ideias. Tudo bem ter um título aqui ou outro ali, mas, no geral, querem conceitos novos, querem coisa nova. Ação é sempre muito bem-vinda, porque dá pra fazer coisa bacana com pouca grana (como já disse: a crise tá forte e os clientes estão com dinheiro contado). A KepelyMata ganhou um leão há pouco tempo com uma ação para o Poder Ciudadano. E acho que foram justamente as ações da minha pasta que me fizeram entrar aqui.

10) Três conselhos para quem deseja seguir os seus passos.

Não seguir meus passos é o primeiro deles. Sigam os passos de Serpa, de Juan Cabral, de David Droga. Ou, melhor ainda: façam os seus próprios passos.

Também acho que é preciso sair daí. Nem que seja pra depois voltar. Mas morar fora é uma experiência que todo mundo deveria ter. Serpa, Juan Cabral e David Droga, só pra insistir nos exemplos anteriores, fizeram isso também.

Tags relacionadas

Envie para um amigo

(Use a vírgula para informar mais de um endereço)

7

Comentários

  1. Autor:
    Alex Luna
    Data:
    10/nov/09
    Hora:
    11:02

    Rafa, bolludo, mataste a pau.

    Parar de escrever titulinhos engraçados. Desses.

    Conceito, conceito. O que você quer dizer com esse anúncio? É interessante? Por quê? É isso que é necessário colocar nas pastas, né não?

    Eu só não concordo muito com a ideia de demonizar atendimentos, clientes e marketing. Estou fazendo uma temporada como cliente e aprendendo muitíssimo. Uma coisa que criativo não aprende a fazer de jeito nenhum é explicar porque a ideia é boa. Justificar a coisa. Os poucos que sabem, valem ouro.

    E não vale dizer que a ideia boa não precisa de justificativa. Qualquer pessoa que entende de arte sabe dizer porque Michelangelo é foda.

  2. Autor:
    Brunno Quintas
    Data:
    10/nov/09
    Hora:
    11:03

    Existem níveis.

  3. Autor:
    Felipe Lapa
    Data:
    10/nov/09
    Hora:
    13:25

    Mora, parabéns!

    Vi você falando de muita coisa louca, diferente... você sempre foi diferente e por isso tantas pessoas te admiram.

    ser diferente nos proporciona resultados diferentes!!!

    Sucesso!

  4. Autor:
    Pedrinho Fonseca
    Data:
    10/nov/09
    Hora:
    13:55

    Moreno, bueno para carajo.

  5. Autor:
    Greg
    Data:
    10/nov/09
    Hora:
    14:44

    Parabéns ao Bob pela entrevista...
    Estou começando na área e é bom saber a quantas andam as coisas lá fora, pra gente ver como e onde buscar mais informaçoes!
    E obrigado!

  6. Autor:
    Pedrinho Bacelar
    Data:
    10/nov/09
    Hora:
    22:26

    Mora,
    Sucesso!

  7. Autor:
    Mauro Naves
    Data:
    11/nov/09
    Hora:
    0:36

    Morenion, parabéns! E pensar que isso começou com recortes de Veríssimo no DP e umas subidas na cobertura da merkado para criar... Hahahaha..

    P.s.: Só tenha cuidado com essa alergia.

/Outras Seções

/ Twitter @ GogoJob

"Diretor de Arte – Fortaleza http://t.co/GOCCGWC6l6 #GogoJob"
"Estágio em Direção de Arte – João Pessoa http://t.co/s5ZK9GaFU4 #GogoJob"
"Estágio em Redação – João Pessoa http://t.co/ZgQZFNK7io #GogoJob"
"Designer Gráfico – Recife http://t.co/0DKHnIFrp5 #GogoJob"
"Estágio em Redação – Recife http://t.co/JGh1zxBNOx #GogoJob"
"Confira as nossas últimas vagas - http://t.co/ycMdi5gyhz #GogoJob"
"Designer Gráfico – Recife http://t.co/ynPZ1zIkpD #GogoJob"
"Diretor de Arte Júnior – Recife http://t.co/n1lreZVRfh #GogoJob"
"Entrevista com Max Leal, publicitário paraibano que será homenageado em Gramado - http://t.co/wnWj9eybsr #GogoJob"

2004-2019 © Todos os direitos reservados Gogojob
Empregos e Formação Publicitária no Nordeste
Desenvolvido por Concepto Internet, utilizando o WordPress