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13/dez/09 por Bob Ferraz

Tirei o júnior do termo Redator Jr. – Por Ricardo Chester

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3a40286a93f0af23f0c62e150ef7a5afForam 258 pastas de redatores jrs até eu decidir escrever sobre o que vi, de forma generalizada, claro.
Abri via twitter a chance do envio de portfólios para uma vaga que se abriu na empresa.
Além das pastas, tive a chance de dar uma olhada naquilo que pode representar a geração de futuros redatores, hoje na faixa entre 20/25 anos.
Este texto tem a única pretensão de dar uma ajuda. Tomara que sirva pra alguma coisa.
Então.
O grande resumo da ópera é: na sua grande maioria, a galera que me enviou os trabalhos está criando sem qualquer referência.
Eu tenho 42 anos, redator há 22.
Minha referência, minha verdadeira escola, foram e ainda são os Anuários do CCSP.
Podem criticar aqueles que acham que o publicitário não pode se referenciar na propaganda. O que é aceitável se a pessoa só se referenciar na propaganda.
Quem faz esta crítica, certamente, referenciou-se na propaganda.
O primeiro passo para quem quer fazer parte de um time de criação de respeito é conhecer a criação em propaganda.
É estudar a criação em propaganda.
Minha geração de redatores estudava propaganda criativa brasileira.
Não tinha e não tem outro jeito.
E, na propaganda brasileira, se você quer por os pés pela porta da frente, tem que por os olhos nos Anuários.
Em todos os anuários.
São 34 disponíveis.
Se não der para comprar os seus, peça emprestado. Fuçe num lugar “antiquado” chamado bibilioteca, que vocês devem saber o que é.
Se você quer ser um redator, uma dica: leia menos o blog do seu amiguinho trendy-setter e suje as mãos na poeira dos anuários entulhados nalguma prateleira sua agência ou escola. Fique menos tempo online. E mais tempo offline.
Fique um bom tempo absolutamente 100% livroline.
Proporções à parte, ali estão as sagradas escrituras. Não dá pra citar os nomes, de tantos que são. E isto apenas para os redatores. A maravilha da direção de arte registradas nesses livros vem em bônus track.
Fazendo isso você vai entender a primeira coisa que todo redator deveria entender: um título e uma frase são duas coisas bem diferentes.
Bem diferentes.
Se você está com preguiça de decorar todos os anuários, e mesmo assim quer ser um redator razoável, má notícia.
Redatores preguiçosos não seguirão longe na carreira.
Então, escolha dez nomes entre os redatores que você mais admira.
Decore o trabalho desses caras, de cabo a rabo. Mas não leia apenas os títulos. Leia os textos. Leia os roteiros.
Veja a técnica de abordagem, argumentação e convencimento que esses dez caras utilizam nos seus trabalhos.
Os anuários das décadas de 70, 80 e 90 são veradeiras escolas de formação de redatores. Leia tudo, devore. Decore.
Na minha geração existem vários e vários profissionais que sabem não apenas as fichas técnicas como também a edição e a posição dos anúncios nos anuários.
Memorize títulos e textos como um apaixonado decora poesia.
Este é o primeiro passo.
Ah, um parêntese importante. Por favor, não me venha com o argumento de que a publicidade mudou, que hoje a coisa é on-demand e que a comunicação tem duas mãos, essas coisas.
Felizmente, a evolução da comunicação não eliminou a matéria-prima de todo bom trabalho: a inteligência.
Conferindo a inteligência com que redatores das últimas três décadas pavimentaram seus caminhos, vai ser muito mais fácil diferenciar o que é pedra e o que é vitória-régia nesse rio bravo que todo mundo em começo de carreira tem que atravessar.
Com alguma referência em mente, você pode partir para o segundo e mais importante passo.
Organizar seu trabalho.
Para isso, existe uma pequena obra-prima publicada por Eugênio Mohallem, o Manual do Estagiário.
Pode ser lida gratuitamente.
Nessas quase 260 pastas que recebi até agora, em raros casos vi algum cuidado de apresentação.
Na minha época, os trabalhos eram chamados de pastas porque a gente apresentava numa pasta mesmo. Eram pastas de couro caríssimas de um cidadão chamado Omar. Cada folha plástica custava algo em torno de 10 reais, em dinheiro de hoje e aceitava dois anúncios, dependendo do tamanho da pasta.
Era tão caro ter uma pasta do Omar que a gente tinha muito cuidado em selecionar o que ia dentro.
Acho que isso ajudava no critério da apresentação do trabalho, também. Hoje, com os blogspots e carbonmades da vida, o computador aceita tudo. E isso pode ser fatal.
No caso dos redatores, as três ou quatro primeiras peças são as decisivas.
Elas vão dizer se o diretor de criação para quem o trabalho vai ser apresentado deve ir para o trash ou para uma lista de favorites.
Notei que pouca gente fez o “test-drive” da sua pasta virtual.
Ou seja, poucos candidatos perceberam a força das primeiras peças.
Outra coisa que me chamou atenção: não mande currículos, não mande profissões de fé, de que você vai pintar a agência, fazer o café, lavar o carro do seu chefe.
Isso não pega nada.
Na fase da peneira, vale o trampo e nada mais.
Alguns candidatos mandaram apenas o link sublinhado. De cara me passaram muito mais confiança do que a ladainha e o blablabla de muitos outros.
Sem qualquer crítica aqui aos mais animados, mas o que conta, na verdade, é o trampo. Discursos inflamados não vão teclar boas idéias. E é atrás de boas idéias que se abrem as portas nas agências.
Sugestão: deixe para mostrar todo ânimo de pegar a vaga na eventual entrevista, caso sua “pasta” tenha vencido a corrida dos espermatozóides da primeira fase.
Para resumir: tive a chance de notar que muitos dos jovens colegas estão sem qualquer referência profissional, o que pode ser perigoso para suas carreiras.
E elas existem. Podem ser alcançadas facilmente. Formar um pequeno caldo cultural logo na saída da carreira pode ser decisivo.
Isto se faz como sempre se fez: aprendendo com caras melhores que você.
O trabalho desses caras está registrado por aí. Fuçe, chafurde no brilho e na inteligência dos melhores redatores do Brasil. Há pelo menos 50 redatores a admirar. De todas as idades, épocas e agências.
E, então, você vai entender porque um título é muito mais que uma frase.
Ou ainda, porque é que sua pasta, ou seu carbonmade, ou seu blogspot, deve ser totalmente refeito, a partir de um critério.
O seu.

Fonte: blog da Agência Babel

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Comentários

  1. Autor:
    Mari
    Data:
    16/dez/09
    Hora:
    2:44

    Parabéns pelo texto. Suas afirmações são realmente muito relevantes, principalmente pra quem está em início de carreira, como eu. Você pode passar alguns nomes que você tem como referência? Se puder enviar para o meu email, ficaria muito grata.

  2. Autor:
    Sabrina
    Data:
    16/dez/09
    Hora:
    18:37

    Dar dicas para estágiarios é fácil.

    Concordo com alguns pontos, entre eles o seguinte: "a evolução da comunicação não eliminou a matéria-prima de todo bom trabalho: a inteligência."

    Mas, anuários não são nem nunca serão tudo. Antes do primeiro anuário, por exemplo, haviam ideias legais, que tinham como base outras referências... Foi daí que surgiu o primeiro e os demais anuários.

    Devorar as páginas tudo bem, mas decorar páginas? Nunca pensei que fosse ouvir isso. Não há fórmula pronta para criar.

    Mas é isso. Opiniões diferentes, profissionais diferentes, trabalhos mais ainda. Se não fosse assim a vida não teria graça.

  3. Autor:
    Pádua Sampaio
    Data:
    20/dez/09
    Hora:
    21:35

    Sorte a nossa que o Ricardo Chester não é médico. Em vez de procurar uma faculdade, ele decoraria o Sobotta e sairia operando todo mundo.

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