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27/jan/10 por Bob Ferraz

GogoJob entrevista Alexandre Pons

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Confira a entrevista exclusiva feita com Alexandre Pons, diretor de arte pernambucano que está trabalhando na DDB Moçambique, em dupla com Serginho Aires e sob o comando de Lenilson Lima. Na entrevista, Pons conta em detalhes como foi essa aventura e o porquê da sua volta.

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1) Bora começar do início. Afinal, por que Moçambique?

Sabia que Moçambique existia, mas não tinha a menor ideia do que era Moçambique. A ideia que eu tinha era dos relatos de Angola, lugar onde muitos brasileiros e publicitários estão indo para trabalhar e ganhar a vida. Fui convidado por Lenilson Lima, uma referência e um professor pra mim no começo da minha carreira como diretor de arte.  Ele foi convidado pra ser diretor de criação na DDB Moçambique e me convidou pro time de brasileiros que trabalharia em conjunto com uma equipe local. A ideia de trabalhar novamente com Lenilson e trabalhar em uma DDB foram decisivas.

2) E agora, já que você vai voltar em fevereiro, "por que não Moçambique"?

Aprendi que Maputo (capital de Moçambique) não era parecida com Luanda (capital de Angola). Maputo tem uma infra-estrutura em crescente desenvolvimento, com diversas opções de hotéis, restaurantes, barzinhos, etc. É um lugar pacífico e de boa gente, mas ainda tem reflexos fortes de uma independência recente de um período de guerra civil que durou até 1992. Viver em Maputo no começo me maravilhou... A África é impressionante: cores, contrastes e diversas referências visuais riquíssimas pra qualquer diretor de arte. Você tem o futuro e o passado no mesmo lugar, e isso é muito doido. Mas com o passar dos dias, a rotina foi ficando cada vez mais difícil. Na área profissional, me deparei com um choque cultural: a publicidade aqui está dando os primeiros passos. Tenho certeza que a DDB - e a equipe inteira que daqui - está ajudando a escrever as primeiras páginas da publicidade em Moçambique. Isso é massa, mas também é uma tarefa muito difícil. Produtoras e fornecedores também então dando os primeiros passos. Meu projeto inicial era de passar um ano aqui, mas com o passar dos dias entendi que o tempo das coisas também é diferente, e o meu tempo era curto. No lado pessoal, também enfrentava problemas. A cada mês a saudade aumentava e enfrentei dias tristes. Foi quando recebi um convite para voltar pro Brasil, pra trabalhar como head of art da RGA Comunicação. Volto para trabalhar em um lugar que tem o estilo que sempre busquei, e pra assumir mais responsabilidades como criativo. E, pra completar, volto pra me casar com Alessandra Pinto (Morya). Ou seja, deixo Moçambique por duas excelentes causas. E deixo todo o meu desejo de sorte para toda a equipe da DDB Moçambique.

3) Quanto tempo durou a aventura? Valeu a pena?

A aventura durou 5 meses e foi a melhor experiência da minha vida. Sair do Brasil e conhecer outras culturas foi muito importante. Durante esse período aqui, pude conhecer outros países como a África do Sul. Fiz uma viagem com meu dupla, Serginho Aires (foto abaixo) e nossas namoradas. Foram as melhores férias da minha vida.

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4) A maior gafe que você passou, seja com a língua ou com os costumes locais.

No Brasil temos algumas gírias que são gafes terríveis se não explicadas. “Nego tá fazendo as coisas erradas! Ops... quero dizer, 'fulano' está fazendo as coisas erradas.” Ou mesmo algo super corriqueiro falado no Brasil: "Porra, vou dormir porque amanhã é dia de branco". Uma simples frase pode ser muito chata de consertar. A questão da cor na África tem um peso que não sentimos de verdade no Brasil.

5) Quais os pontos positivos e negativos da viagem?

Tirando a saudade, só existem pontos positivos. Tudo é aprendizado e evolução.

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6) Como é o mercado publicitário em Moçambique? Se pudesse, o que você mudaria nele?

Acabei respondendo parte desta pergunta na resposta 2, mas posso concluir que aqui também existe uma rivalidade clara entre as agências. Existem agências locais, com conceitos fortes de localismo, e outras que têm equipes com moçambicanos e estrangeiros, a exemplo da DDB. Isso torna o clima tenso entre as agências. Acho que isso precisa evoluir pra que Moçambique tenha um crescimento mais saudável no mercado publicitário.

7) Qual o melhor e o pior job que você pegou na DDB Moçambique?

O pior job foi o melhor: foi o job do Mozambique Fashion Week, um evento de moda e cultura africana que tem proporções internacionais, com participação de estilistas africanos e europeus, com cobertura de mídia na Europa e África.

O job durou 3 meses e quase enlouqueci. Foi muito trabalho... Noites com Serginho trabalhando até a madrugada. Trabalhamos com artistas locais e com uma equipe muito grande. No final, me senti muito honrado de ter feito esse trabalho. Agradeço eternamente a Lenilson Lima (foto abaixo) e a Vasco Rocha, dono da DDB e realizador do MFW.

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08) Existe alguém que você nunca vai esquecer em Moçambique? Por quê?

O Alexandre que ficou. Essa experiência foi fundamental para definir os meus novos passos da minha vida.

09) Pra gente terminar num clima descontraído, manda um som que ficou a cara dessa viagem.

Serginho descobriu uma banda chamada Freshlyground. Foi a principal trilha da minha história em Moçambique. Aqui vai uma das músicas deles, do último álbum, mas vale a pena ouvir os 3 álbuns. Aproveito a oportunidade para agradecer a Serginho, Lenilson e a todos com quem tive a oportunidade de dividir esses dias. Valeu, Moçambique!

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Comentários

  1. Autor:
    Fabis
    Data:
    27/jan/10
    Hora:
    10:23

    Xande, que bom que está voltando. Estamos com saudades. Bjus, Fabis

  2. Autor:
    filipe c
    Data:
    27/jan/10
    Hora:
    10:24

    detonou.

  3. Autor:
    Fernando Raposo
    Data:
    27/jan/10
    Hora:
    11:39

    Parabenizo o Pons pela ousadia de enfrentar o "Mar tenebroso" e aportar no continente africano. Sua capacidade profissional certamente deixará saudades nas terras além mar. Tenho orgulho de ser amigo do Pons e desejo toda a sorte do mundo em seu retorno, e sucesso em mais um desafio de sua carreira como diretor de arte.
    Conte comigo, meu amigo, para o que der e vier.

    Abs,

    Fernando Raposo

  4. Autor:
    Victor Holanda
    Data:
    31/jan/10
    Hora:
    23:53

    Mestre! Aprendi muito com você nesses meses! Te desejo toda a sorte do mundo meu querido! Abraços e Kanimambo por tudo!

  5. Autor:
    Goretti Santana
    Data:
    11/fev/10
    Hora:
    13:49

    Pons,
    A terrinha te espera de braços abertos.
    O profissional, o homem, o ser tão querido.
    Viver é isso aí, velho: ser intenso em tudo.
    E isto você é.
    É uma honra te conhecer.
    Saudades
    Gó.

  6. Autor:
    Dan Ramos
    Data:
    05/mar/10
    Hora:
    19:49

    Muito bacana, deu aquela renovada na vontade de sair do estado e do país. E Serginho como sempre com aquela cara.

  7. Autor:
    Amanda Cardoso
    Data:
    09/mar/10
    Hora:
    14:11

    Sucesso, Pons!

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