/Formação

24/fev/10 por Bob Ferraz

Um ano de Espanha

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(Texto publicado originalmente no CCSP. Obrigado, Laís. Valeu, Miguel.)

2009. Um ano em que aprendi muito. E, ainda bem, desaprendi muito também. Aqui vão algumas das minhas reflexões.

Em 2009 aprendi que morar fora do país dá a sensação de estar preenchendo uma página em branco, ou de descer de snowboard fora de pista. Tudo é novo. Tudo é excitante. Tudo é um desaprender e reaprender constante. Você pode quebrar a cabeça, mas quando olha para trás, e vê o caminho que percorreu, é uma delícia.

Aprendi que a propaganda brasileira deve muito à TV brasileira. A gente cresceu muito graças a nossa TV. Competir com o Jornal Nacional, com a novela das 9, com o Pânico, com o CQC exige muito talento. A TV espanhola deixa muito a dever. Talvez por isso a propaganda aqui não ande na mesma velocidade que aí.

A propaganda espanhola deve muito ao cinema espanhol. Caraca, como o cinema daqui é bom. Sem falar de como eles bebem do cinema argentino. Como sabem contar histórias. E como produzem bem. Muitos filmes que eu pensava serem argentinos na verdade são espanhóis. Assim como muitos "westerns" americanões foram rodados aqui.

Aprendi que o nosso país tá nesse embalo porque não perdemos tempo como os espanhóis com os discursos separatistas dos bascos, dos catalanes etc.

Que o Lula é o nosso melhor produto exportação. Lula é muito maior do que ele pensa. E olha que ele não tem um ego pequeno. E se ele fosse tão bom quanto falam bem dele, aqui, nosso país poderia estar ainda melhor.

Que existem agências espanholas digitais tão ou mais avançadas que as agências digitais brazucas. Olhem o caso da Dobleyou. Ou Shackleton. Ou Herraiz & Soto. Ao mesmo tempo em que existem agências piores que, bem, melhor não falar.

Que as leis trabalhistas do Brasil exigem que o povo trabalhe mais. E por incrível que pareça, isso é bom para o nosso país. Aqui os caras têm quase dois anos de seguro-desemprego, o que é quase um freio-de-mão quando o assunto é retomada de crescimento econômico.

Que castelhano não é mole não. Que se você quer trabalhar em 30 ou quase 40% do mundo (e o mercado latino cresce pra caramba ultimamente) não faça como eu que não ouvi o Nizan e tive que aprender na raça. Entre num curso de castelhano já. É rápido e muito útil. Vai por mim.

Que se escreve melhor com este programa ommwriter do meu amigo espanhol Rafa Soto. Baixe você também e comprove.

Que o Twitter não deu tão certo ainda na Europa porque a galera (ainda) prefere vida ao trabalho. E olha que os caras são mestres no assunto. E por falar em Twitter, só os meus amigos paulistanos twittam sobre trânsito. Ah, não há nada como viver numa cidade onde trânsito não é assunto. Esse ano, por exemplo, desaprendi a andar de carro.

Que se pode sair mais cedo na sexta-feira e pegar o seu filho na escola sem que isso diminua o ritmo do trampo. Ao contrário. Saber que o seu fim de semana tem dois dias e meio, adiciona muito conteúdo na hora de resolver um briefing.

Que criativos que só fazem ATL já estão mofando aqui na terra das agências que já não vendem espaço de mídia.

Que o Brasil não vai retomar o respeito no mundo publicitário enquanto não ganhar um Titanium. Porque 1) é de verdade 2) será um case famoso no mundo inteiro 3) é para marca de gente grande. O resto é bom, é do grande caralho, mas não come mais ninguém. Ao menos, ninguém do ramo.

Que os madrileños, pode não parecer, preferiam perder a olimpíada para os cariocas que para os Obamas.

Que as produtoras de internet no Brasil estão mais espertas que muitas agências.

Que ainda existem clientes no mundo que não têm a menor ideia do que é o mundo digital.

Que depois de viver num país que tem 8 mil Km de extensão, a Europa é uma delícia. Curitiba é França. Recife é Amsterdam. Roma é BH. Istambul é Cuiabá. Que delícia passar o fim de semana ou feriadão vivendo como turista...

Que dá para ver o melhor do Festival de Cannes chegando na quarta-feira. É mais barato. Te obriga a ser mais produtivo. É mais instrutivo. Menos tempo jogado fora. E menos cerveja quente de 10 euros às 4 da madruga no Martinez...

Que tem um festival bem bacana pré-Cannes: o de San Sebastian. Vale a pena vir. O melhor da publicidade espanhola. O melhor da publicidade argentina. E de quebra, o melhor da culinária basca. Você ainda está numa cidade linda, tipo um mini Rio de Janeiro, com direito a boa comida, bons passeios e até umas ondinhas no final de tarde. Enfim, é um festival tão espanhol que fecha das 2 às 4 da tarde para o almoço...

Que, com a crise, o Brasil poderia inscrever metade das peças em Sanse ou Cannes que teria quase o mesmo resultado. Ojo! Chegar em San Sebastian com 200 peças é desperdício.  Melhor guardar seus Messis e Kakás para o nosso Mundial de junho, na França.

Que o site do CCSP é um dos melhores do mundo. Ali você fica sabendo de tudo o que rola no Brasil e no mundo. Os gringos deveriam acessá-lo mais. Assim como nosotros devemos olhar mais o adlatina. Toda sexta tem ao menos uma campanha nova bem bacana.

Que se o Brasil não ganhar a Copa do Mundo seria muito legal para o futebol mundial que a Espanha ganhasse. Tá jogando tão bonito que só perde se aparecer um Puyol dando uma de Cerezo para estragar a festa...

Que se pode trabalhar no verão de Havaianas na Espanha. E que até hoje não entendo porque não no país das Havaianas...

Que a crise foi uma excelente solução para aquelas viagens a trabalho de avião que poderiam muito bem ser resolvidas por skype.

Que crise gera oportunidades, mas agora chega tá.

Que não há nada como poder entregar um briefing de comercial a um redator argentino. E pedir para que o filme seja feito com um diretor argentino, com atores argentinos. Se o cliente não atrapalhar, não tem como dar errado.

Que é uma delícia ver os filmes em castelhano sem nem lembrar que eles estão em castelhano. Recomendo Un novio para Mi mujer y El segreto de tus ojos. Todos com o mesmo ator, Ricardo Darim. Todos geniais.

Que por aqui campanha boa é a que começa como notícia. E depois vira publicidade. Tente explicar isso para o seu departamento de mídia que eu te dou um doce.

Que podem falar o que quiser. Aqui de fora, parece que o Brasil só tem duas agências, que não digo quais são porque você já sabe.

Que o ano que vem promete mais para o Brasil que para qualquer país.

Que El País é o melhor jornal do mundo. Punto. Experimente. Um texto sobre uma partida ou sobre uma tourada, alguns minutos depois do fato, é quase literatura.

Que o Twitter e o Facebook e o Skype me ajudam a matar a saudade da família e dos amigos como jamais imaginaria.

Que morar fora é uma delícia, mas foi duro ver pela TV o Flamengo ser campeão.

Que 2010 vai ser de puta madre. Believe :-)

Feliz año nuevo.

Miguel Bemfica, Diretor General Creativo da JWT Delvico e fundador da escolacuca.com

Fonte: CCSP

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