/Formação

27/set/10 por Sergio Mendonça

Não vá se perder por aí

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Tenho a sensação de que nasci na década errada.

Tenho um iPhone, e adiei um pouco os planos de adquirir uma máquina de lavar para investir num ipad.

Mas juro que preferia ter investido todas as minhas economias no produto do momento: uma TV em preto e branco para ver o homem pisar na lua.

Estou no Twitter, Facebook, Flickr, Linkedin, Behance, mas gostaria mesmo é de estar, presencialmente, nos bailes dos anos 60, me excitando com tornozelos e batatas de pernas femininas, nos grupos de motoqueiros concentrados na porta das lanchonetes, ou nos festivais de música ouvindo Caetano bradar que eu sou um alienado que quer matar hoje um velho doente que morreu ontem.

Mas estou apenas ouvindo Jorge Vercilo ou Maria Gadu na versão do cantor mequetrefe de uma churrascaria mequetrefe.

Dou checkin no trabalho, em casa, em alguns bares e no cinema, utilizando o foursquare.

Mas gostaria mesmo é de postar um “I’m at the cavern club, Liverpool, with 4 other friends”, ou um “I’m at woodstook with a million crazy hippie friends”. Ou até mesmo “I’m at cativeiro do embaixador americano with @gabeira and 5 other friends”. Mas estou apenas tuitando para informar que o caldinho do Neno é o melhor do Recife.

Queria poder “xingar muito no Twitter” a ditadura, o AI-5 ou a injustiça com Geraldo Vandré naquele festival de música. Mas, na verdade, estou revoltado mesmo é com a candidatura do Tiririca e com os prêmios que a banda Restart ganhou no VMB.

Pena que não tinha internet nos anos 60. As redes sociais seriam bem mais relevantes, e as pessoas teriam bem menos conteúdo para partilhar. E menos seria mais. Nesse caso, muito mais.

Porque nesses tempos modernos de vazio e futilidade, precisamos navegar com sagacidade, senão a gente se perde nos 95% de espuma da internet, no meio da enorme sofisticação de inutilidades dos blogs, memes e hashtags, da banalização do genial e da pulverização do que realmente importa: a real intensidade das coisas.

Tudo na vida é relativo, é referência. E no meio de tanta coisa ruim, você pode acabar achando que o mediano é fantástico, e aí o seu critério escorre pelo ralo.

Mas, assim como no garimpo, quando afastamos toda a lama e encontramos uma pepita, sentimos que todo o esforço valeu a pena.

Então, abrimos mais uma aba no nosso navegador e seguimos em frente. De volta à lama. Atrás de mais uma pepita.

Que assim seja. Mas tome cuidado.

Não vá se perder por aí.

Mateus Barbosa é redator da Contexto Propaganda.

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6

Comentários

  1. Autor:
    Christian
    Data:
    27/set/10
    Hora:
    15:00

    Boa, Mateus!

    eu ainda sou um analfa em termos dessa onda de redes sociais. Até um certo momento evitei, mas já vi que minha luta foi em vão.

    Grande abraço,

    Christian Gonza (Cuca)

  2. Autor:
    Lucil
    Data:
    27/set/10
    Hora:
    16:24

    ô Mah, que belo texto!!

    Adorei. bjos.

  3. Autor:
    Dirceu Tavares
    Data:
    30/set/10
    Hora:
    23:56

    Vc é o mais novo velho que vi ultimamente. Vivi bastante os anos 70 que vc glorifica e não queria voltar àquela época. Não achava legal viver numa ditadura com medo que arranquem suas unhas por que vc faz teatro de periferia. Prefiro viver a era atual, apesar de achar tudo muito monótono. Tudo vale, tudo pode. Queria viver no século XXII. Sexo com roboas virtuais, comer muito e nao engordar, mulheres transgênicas lindas, almentar as partes do corpo que desejasse. Não trabalhar e viver nas termas dos jogos olímpicos. Tenho saudade do futuro.

  4. Autor:
    Cleyton Cabral
    Data:
    05/out/10
    Hora:
    14:24

    Que texto bacanudo, Mateus. abs.

  5. Autor:
    Sabrina
    Data:
    07/out/10
    Hora:
    14:51

    De tanto pensar no passado e/ou no futuro, esquecemos de dar atenção ao presente. É nele, e somente nele, que podemos fazer alguma coisa relevante. E é com base nestas ações que podemos rever os erros e acertos do passado e construir um futuro melhor.

  6. Autor:
    Penelope
    Data:
    07/out/10
    Hora:
    16:00

    Arrasou, Má!!! Muito bom!

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