/Formação

31/jan/11 por Sergio Mendonça

Entre a mídia e os media: uma visão comparativa entre Brasil e Portugal

Soraya Bareto é publicitária, doutoranda em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa e Investigadora da Fundação para Ciência e Tecnologia de Portugal.
FacebookTwitterPinterestEmail

Enquanto publicitária, quando decidi atravessar o atlântico para fazer um mestrado, minha primeira curiosidade foi analisar a publicidade portuguesa. O início foi mais complicado. Nada tinha muita graça, mas claro, não entendia a cultura e o humor deles. A publicidade brasileira é repleta de bom humor e reconhecida mundialmente pela sua criatividade. O mercado lisboeta é repleto da influência “brazuca” e os departamentos criativos das agências são lugares tarimbados de se achar brasileiros trabalhando.

Mas, eu me deparei com uma dura realidade: não há espaço para os demais profissionais. Como no Brasil, é preciso conhecer pessoas, começar por um estágio (meu caso) e estabelecer contatos, aí sim, mostrar o seu potencial. Não adianta os seus anos de prestação em agências renomadas no Brasil. Tudo é muito diferente. Cheguei imaginando que não seria difícil encontrar trabalho na área de planejadora de mídia ou, como aqui se chama, "planeadora de meios". No entanto, realmente a técnica e a formatação são muito diferentes. Quando trabalhei na Marktest, empresa de estudo de mercado, similar ao nosso IBOPE, pude concretizar diferenças pertinentes no mercado de trabalho.

Primeiramente, aqui é raro encontrar a área de mídia integrada nas agências. O habitual são as agências de meios (bureau de mídia). São enúmeras empresas apenas especializadas no planejamento e compra de espaços publicitários no mix de meios. As agências de meios são pagas pelos veículos de comunicação, através dos descontos de agência (cerca de 15%). No entanto, nos últimos anos, as agências de publicidade, com o objectivo de recuperarem esta área de negócio, estão agregando novamente esta área. Percebemos isto principalmente nas agências multinacionais ou de donos brasileiros. E também, nas agências de publicidade, a fim de assegurar a comissão da agência e de angariar novos clientes. Sendo assim, criam suas próprias agências de meios.

Particularmente, acredito que o mídia tem que estar dentro da agência. Em minha experiência de mercado, era mais que enriquecedor participar desde o briefing até a concepção das peças. Este processo faz com que o planejador de mídia possa viabilizar propostas inovadoras, opinar sobre propostas inviáveis e, claro, participar da parte criativa com ideias e sugestões (apesar desta última ser pouco comum no cotidiano da empresa).

Além das diferenças estruturais, deve-se considerar as divergências técnicas. Um bom exemplo de perceber isto é no meio Jornal. Estamos familiarizados no Brasil com aquela velha regrinha do “cmxcol” (centímetro por coluna). Aqui, compra-se jornal por módulos. Sim, pequenos quadrados que vão formando o tamanho da peça publicitária e se calcula com o número de quadrados enquadrados ao tamanho da peça. E também nos formatos preestabelecidos que conhecemos: meia página, página, etc.

Além dos pontos elencados, a publicidade em termos de disposição escrita e imagética, é bem diferente. O humor e os jingles peculiares da nossa temática publicitária aqui são bem incomuns. Na recente propaganda eleitoral presidencialista, não escutamos nenhum jingle ou algo próximo a uma melodia. Uma das propagandas mais faladas pelo população recentemente foi a de um supermercado chamado Pingo Doce, realizada pela Duda Propaganda, a filial da agência do Duda Mendonça em Portugal. O jingle “chicletinho” foi super comentado e recebido com um pouco de estranheza. Como publicitária, posso atestar como genial, já que hoje todo mundo canta. E rapidamente virou um case de marketing viral através do youtube.

A redação é uma tarefa difícil para um brasileiro recém chegado. A construção frásica é diferente e os termos são todos importados do Reino Unido. E não digo apenas para o redator, mas para o planejador redigir um plano estratégico vai encontrar vários entraves linguísticos e ligados às terminologias. Apesar de estarmos falando de um mesmo idioma, percebe-se que essa facilidade dá-se com o tempo. É bem complicado entendê-los no início, pois não conhecemos praticamente nada da cultura portuguesa, a não ser aqueles clichês exportados pela mídia. Enquanto eles, conhecem muito da nossa cultura, oriundos da veiculação de telenovelas e a forte imigração brasileiras nos últimos 10 anos. Entre mídia e "media" (como os mídias são chamados em Portugal), as divergências são evidentes, mas nada que a vontade de aprender e a dedicação não “lime as arestas”. Quero dizer , não apare as arestas.

Soraya Bareto é publicitária, doutoranda em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa e Investigadora da Fundação para Ciência e Tecnologia de Portugal.

Tags relacionadas

Envie para um amigo

(Use a vírgula para informar mais de um endereço)

7

Comentários

  1. Autor:
    Luciana Camelo
    Cidade:
    Recife
    Estado:
    PE
    Data:
    31/jan/11
    Hora:
    15:59

    Que maravilha te ler aqui Sol, ver o quanto você cresceu! Foi minha adorada professora carrego muito da sua experiência comigo. Dias desses tava dando uma olhada no teu livro "abc do mídia" para relembrar algumas coisas. Sucesso!!

  2. Autor:
    Romeu Holanda
    Cidade:
    Recife
    Estado:
    PE
    Data:
    02/fev/11
    Hora:
    10:24

    Dá-lhe Soraya, ora pois! Parabéns pela entrevista, muito sucesso e tudo de bom!
    Beijo grande.

  3. Autor:
    Mirella Lima
    Cidade:
    Recife
    Estado:
    PE
    Data:
    03/fev/11
    Hora:
    14:54

    Soraya arrasando! minha ex-fessora da Nassau êêê!

  4. Autor:
    Ary barreto
    Cidade:
    jaboatão dos Guararpes
    Estado:
    PE
    Data:
    03/fev/11
    Hora:
    17:35

    Ai, ai, ai, a morena do meu Pai!!!

  5. Autor:
    Ary barreto
    Data:
    03/fev/11
    Hora:
    17:36

    Ai, ai, ai, a morena do meu Pai!

  6. Autor:
    Dorival Lima
    Cidade:
    Recife
    Estado:
    Pe
    Data:
    04/fev/11
    Hora:
    21:31

    Oi Sol. Quanto tempo menina!
    Não sei vc está lembrada de mim!
    Vou refrescar sua memória. Nos conhecemos nos encontros dos internautas aqui em Recife...Lembro quando te encontrei depois de algum tempo fazendo faculdade na área. Fico feliz por vc ter chegado tão longe. Te desejo muito sucesso!
    Grande abraço!

  7. Autor:
    Márcio Quirino
    Cidade:
    Recife
    Estado:
    Pernambuco
    Data:
    07/fev/11
    Hora:
    11:28

    Minha amiga tornou-se uma celebridade.
    Isso é reflexo de muita dedicação e talento.
    Parabéns pelas suas conquistas. Fico muito feliz.
    Mande notícias!
    bjos

    marcio@mercadocom.com

/Outras Seções

/ Twitter @ GogoJob

"Diretor de Arte – Fortaleza http://t.co/GOCCGWC6l6 #GogoJob"
"Estágio em Direção de Arte – João Pessoa http://t.co/s5ZK9GaFU4 #GogoJob"
"Estágio em Redação – João Pessoa http://t.co/ZgQZFNK7io #GogoJob"
"Designer Gráfico – Recife http://t.co/0DKHnIFrp5 #GogoJob"
"Estágio em Redação – Recife http://t.co/JGh1zxBNOx #GogoJob"
"Confira as nossas últimas vagas - http://t.co/ycMdi5gyhz #GogoJob"
"Designer Gráfico – Recife http://t.co/ynPZ1zIkpD #GogoJob"
"Diretor de Arte Júnior – Recife http://t.co/n1lreZVRfh #GogoJob"
"Entrevista com Max Leal, publicitário paraibano que será homenageado em Gramado - http://t.co/wnWj9eybsr #GogoJob"

2004-2019 © Todos os direitos reservados Gogojob
Empregos e Formação Publicitária no Nordeste
Desenvolvido por Concepto Internet, utilizando o WordPress