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15/set/11 por Ana Jacque

Turbine sua memória

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Não existe memória ruim, só mal treinada. A ciência descobriu que todo mundo pode ser mestre de memória.

Maná E.D.I

Tudo começou em um hospital. Aos 18 anos, o inglês Ed Cooke teve de ficar meses internado para tratar um problema na perna. Para espantar o tédio, decidiu dar uma chance a um presente que ganhara de alguém: um livro com exercícios de memorização. Cinco anos mais tarde, Cooke era Grande Mestre de Memória – só existem 35 no mundo. Guardar uma sequência de mil dígitos aleatórios em menos de uma hora, a ordem precisa de 56 cartas de 10 baralhos na hora seguinte, decorar livros de 700 páginas – Cooke é capaz de tudo isso. E você também.

Em 2003, uma pesquisa conjunta de duas universidades inglesas comprovou que o cérebro de gênios memorizadores é igual ao nosso. A diferença é que Cooke e outros participantes de campeonatos de memória treinam constantemente para aprimorar sua capacidade. Partindo de princípios simples, apresentados nas próximas páginas (construir uma história, explorar um cenário conhecido, pensar em situações ridículas), é possível lembrar quantidades extraordinárias de informação. O sujeito começa decorando a lista de compras e termina sabendo localização e preço de todos os produtos do supermercado. Sem falar, claro, nas vantagens bem palpáveis de lembrar onde você deixou as chaves, o aniversário dos parentes e conteúdo daquela prova semana que vem. Só depende da sua disposição – até porque você não nasceu pra isso.

Nosso cérebro foi feito para lembrar de muita coisa. Durante a evolução, o ser humano sobreviveu se deslocando para coletar recursos e depois retornar para sua comunidade. E foram essas demandas que esculpiram nossas memórias, não as do mundo moderno. Como regra geral, você nunca vai esquecer das suas necessidades básicas (comer, dormir), e talvez nem sempre lembre do que a sua cabeça pré-histórica considere supérfluo – nas cavernas não havia contas para pagar nem agendamento no dentista. Na definição dos especialistas, uma boa memória de você enganar seu cérebro, tornando memoráveis coisas que esse troglodita deixaria passar batido.

É aí que entra em cena a mneumônica, o conjunto de técnicas conhecidas e ensinadas desde a Antiguidade e que fazem a fama dos Grandes Mestres de Memória. É bem verdade que essas técnicas andavam meio desacreditadas – ao longo do século 20, foram pouco estudadas pelos cientistas, que as viam como decoreba com grife. Mas a coisa começou a mudar no ano passado, quando os psicólogos cognitivos americanos James Worthen, da Universidade do Sudeste de Louisiana, e Reed Hunt, da Universidade do Texas em San Antonio, publicaram o livro Mnemonology: Mnemonics for the 21st Century. Nesse estudo aprofundado, a dupla se vale dos estudos neurológicos mais recentes para separar o joio do trigo mneumônico. Sobram de pé as técnicas apresentadas nestas páginas e a comprovação científica de que, aplicando-as, qualquer zé-mané pode lembrar do que quiser. Só faltava um zé-mané para provar isso.

Editora Globo

Estamos falando do jornalista americano Joshua Foer – até então, o irmão anônimo do famoso escritor Jonathan Safran Foer. Treinando com Ed Cooke, o mestre do início deste texto, ele passou de sujeito esquecido a campeão americano de memória em 2006. E olha que não foi nenhum sacrifício olímpico: “Durante 9 meses, eu treinei duas vezes por semana, cerca de 20 minutos”, diz Froer. Ele narra sua trajetória no livro A Arte e a Ciência de Memorizar Tudo, best-seller do New York Times, com roteiro vendido para Hollywood, que tem lançamento no Brasil previsto para agosto. O título em inglês, “Moonwalking with Einstein”, que mistura o famoso passo de dança de Michael Jackson com o físico alemão, é uma homenagem à técnica de criar imagens bizarras e inesquecíveis.

OK, posso decorar tudo que eu quiser. Mas pra quê? É uma pergunta válida. Mesmo na remota possibilidade de que dígitos aleatórios e decoreba de baralhos façam parte do seu dia a dia, para todo o resto existe auxílio digital: agenda de telefones no celular, caminhos no GPS, tudo no Google. Aliás, passar a memória adiante parece ser a alternativa mais sensata.

Confira aqui a matéria completa da revista Galileu.

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Comentários

  1. Autor:
    jose luiz
    Cidade:
    jaboatao
    Estado:
    pe
    Data:
    06/out/11
    Hora:
    21:29

    boa dica pra o pessoal, q como ja nao tem memoria, e sim UMA VAGA LEMBRANÇArsrsrs.eu ja pratikei a tecnica da mnemotica e deu certo e ainda dá, qdo tento.ex:na 7 série precisava "decorar"os planetas do nosso sistema, e aí veioa tecnica:"Minha vó tinha muitas joias só usava no pescoço.

    Marte; Vênus; Terra; Mercúrio; Jupter; Saturno; Urano; Netuno; Plutão". As iniciais da frase, sacou?! Vale a pena tentar, aninha.vai em frente, relacione a idéia a uma frase, uma data, um número, o nome de alguém de quem vc gosta. dá certo,eu sei!! xero,kerida. gosto de ler o q vc posta.

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