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19/mar/12 por Vanessa Maciel

Entrevista com Maurício Nunes: o digital na vida de uma agência de publicidade

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Muitos publicitários começaram e trabalharam muito tempo em um ambiente onde o digital não era aproveitado para publicidade. De lá para cá, muita coisa mudou, principalmente os hábitos de consumo de mídia das pessoas, que estão cada vez mais online. Atualmente, muitas agências possuem uma divisão interativa que trabalha alinhada com todas as outras mídias.

Em matéria para a Trespontos, Adelino Montalverne, publicitário e mestre em Cibercultura disse que “As agências de publicidade perceberam que a comunicação digital não pode mais ser tratada como um serviço extra, executado por terceiros. Aí está uma nova onda, não mais dos núcleos e departamentos digitais, mas um processo de integração desses profissionais nas estruturas que já existem nas agências. Não é mais uma questão do setor digital, mas de todos os setores serem também digitais.”

É preciso paciência para aceitar as mudanças culturais que o digital implica. A boa notícia é que a compreensão sobre os negócios digitais está aumentando. Para explicar melhor como ocorre esse processo, o GogoJob entrevistou Maurício Nunes, Diretor de criação da Ampla, uma das maiores agências do Nordeste. Para tentar solucionar o “Minha agência entende minha marca, mas não faz internet” X “Minha produtora faz internet, mas não entende minha marca”, a agência criou em 2010 o primeiro núcleo de criação digital estruturado no NE e começou o trabalho de comunicação 360º, que transita pelas mídias para atingir todos os pontos de contato com o consumidor. O lado web da Ampla não pretende ser uma agência digital, mas oferecer aos clientes soluções completas e oportunas: além de tecnologia, comporta conteúdo, criatividade e capacidade de negócios.

Qual o primeiro passo que uma agência “tradicional” deve dar para investir no digital?
1º definir um foco. Na área digital existem diversos segmentos (redes sociais, ações com tecnologia, sites/hotsites, móbile...). Não adianta querer começar com tudo.
2º definir um projeto piloto com um cliente. É importante para servir de espelho para os outros (tanto como cases, quanto se prevenir para não repetir os erros).
3º investir em profissionais com experiência. A pressão é muito grande no começo, precisa de profissionais que tenham experiência em campo e saber lidar melhor com a situação. A agência precisa ganhar a confiança do cliente.
4º é importante que a cultura digital se espalhe na agência. Não pode se concentrar apenas em um núcleo. Para isso, sugiro palestras internas e metas dessa integração.

Como foi a decisão de ter um núcleo digital?
Eu era sócio da Cappen e nós já tínhamos uma parceria com a Ampla para atender um cliente em comum: a Claro. Então surgiu a proposta do Presidente da Ampla, Queiroz Filho e do VP de Criação, Manuel Cavalcanti, de montar um núcleo digital dentro da agência. Naquele momento, a Claro era a maior cliente da Ampla e demandava diversas ações com foco no digital. A conta nacional da Claro acabou indo toda para a Ogilvy, saindo da Almap e F/Nazca. Foi um susto na época, por que a Claro deixou de ser o maior cliente da agência devido à mudança na forma de trabalho. Todavia, conseguimos outras contas e fizemos da Vitarella nosso projeto piloto.

MAURICIONUNES AMPLA

Como a criação digital é estruturada?
São 18 funcionários e tudo funciona com coordenadores no núcleo de desenvolvimento de conteúdo/monitoramento e no núcleo de programadores.
Desenvolvedores de Conteúdo/Estratégia: cuidam do dia a dia do cliente nas Redes Sociais. Também organizamos um calendário de promoções/ações ao longo do ano e essa equipe nos ajuda a desenvolver estratégias e ações.
Monitoramento: através de um software próprio e de pessoas específicas para essa área, desenvolvemos um dos melhores modelos de Monitoramento do mercado. Está sendo uma área de investimento e estou gostando bastante de mergulhar nesse universo e de potencializar cada vez mais nosso monitoramento. Ele é muito importante para guiar estratégias/campanhas no meio digital e no offline, bem como dá o Norte para o desenvolvimento de conteúdo.
Mídia digital: temos uma pessoa específica para a mídia digital. O plano de mídia é completamente integrado e na área digital o campo é imenso: Google, Facebook, Portais, Blogs, etc.
Programadores: eles são multidisciplinares: Php, Java, Js, Flash, Html5, C, etc. Além de um específico para Mobile, que já é a bola da vez.
Designer e 3D: específico para o meio digital. Importante para plataformas interativas e advergames.
Produção digital: uma pessoa específica para viabilizar nossas ideias. Está sendo treinada com todo o expertise digital.

O crescimento da média de investimento em comunicação digital repercutiu positivamente na Ampla. Em um ano o faturamento do setor digital da agência ampliou suas receitas acima da média. Como isso aconteceu?
Metas. Sempre trabalhei assim. As receitas aconteceram graças ao trabalho bem executado da equipe, da confiança obtida dos clientes através dos bons resultados, previstos nas metas. Outro fator super importante foi o excelente relacionamento com o atendimento da agência. A parceria tem dado muito certo (atendimento e digital), pois existe um movimento de encanto sobre essa área e como ela envolve o cliente. Sendo assim, nos aproximamos cada vez mais e o ganho não vem apenas da receita gerada, mas da maior fidelização do cliente.

Uma das vantagens em ter um núcleo digital é que decisões online são consideradas desde a elaboração das estratégias para a construção de marca. Você apontaria outras?
- Planejamento único e integrado: a agência tem condições de pensar no todo e ver quais são as melhores alternativas, para todas as situações ao longo do ano e em casos específicos.
- Atendimento unificado: diminui o trabalho do cliente, que pode falar apenas com o atendimento para resolver tudo sobre comunicação. Muito mais fácil do que falar com sua agência tradicional, sua agência digital, sua agência de SM, sua agência de promo, etc.
- Sigilo e velocidade na informação: falando apenas com uma agência, essa informação é distribuída de maneira muito mais rápida e segura para todos os núcleos.
- Criação alinhada e consciente da identidade visual: não corre perigo de não seguir a mesma linha desenvolvida para o cliente. A criação é unificada e, mesmo que não seja o mesmo DA que execute no ambiente digital, ele será orientado sobre como deverá ser feito para manter o padrão.
- Mensuração: de maneira prática, a mensuração de resultados fica muito mais fácil de ser concentrada e visualizada no todo. Os resultados são unificados e visto a conclusão.

O GOGOJOB COMPLEMENTA: Curtiu o assunto? O vídeo abaixo é apocalíptico e tem uma visão mais dura e radical sobre convergência.

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