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09/mai/13 por Bob Ferraz

África pelos olhos abertos de Seu Lima

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Anderson Lima, mais conhecido por "Seu Lima" ou "Caniço", tem 31, é casado e pai de 2 filhos. Segundo ele, gastou metade da vida dentro de agência. Foi diretor de arte, ilustrador, designer, redator, diretor de criação e até atendimento. Trabalhou no Nordeste brasileiro e na África, em Moçambique. Nesta última andança, fez muito amigos e grandes fotos. É sobre estas fotos, de limpar a vista, que vamos papear.

(Seu Lima, sempre de olhos e alma abertas)

GogoJob: Como começou a sua paixão pela fotografia?
Seu Lima: Sempre gostei de revirar as fotos antigas da minha casa. Mas minha maior curiosidade era ver meu pai sem a barba, coisa que só conheço por foto. Desse gosto por ver fotos deve ter nascido a vontade de fazer fotos. Saí da velha compacta com filme pra uma Cybershot e passei a clicar mais. Com o Fotolog me acostumei a clicar pelo menos uma vez por dia. De uns tempos pra cá o esforço se voltou pro clicar menos. Isso talvez seja o que mais diferencie um fotógrafo de um clicador.

(Pequeno filho da mãe África, no Kruger Park)

GogoJob: Como foi fotografar na África?
Seu Lima: África é a Meca da fotografia. Tudo contribui. A luz do sol é diferente. Deve haver uma explicação científica pra isso... As roupas das pessoas ajudam muito, não só as típicas. O africano urbano se veste bem melhor que nós. Desinformação do ocidente sobre o que é a África torna as nossas fotos mais interessantes. O africano é um povo bonito, com uma cultura milenar e rica. Fotografar na África foi uma escola, certamente melhor que qualquer curso que eu poderia pagar.

(Fiéis e o barco. Batismo em Maputo, Moçambique)

GogoJob: Eles reagiam bem às fotografias?
Seu Lima: Fotografar ali também nos leva a reflexões importantes: como clicar com respeito, como não enquadrar preconceituosamente, como opinar enquandrando os elementos certos. Dependendo da região pela qual eu viajava, mudava o comportamento do fotografado: nas regiões mais distantes as pessoas eram mais curiosas, mais fáceis de clicar, mais simpáticas à câmera; nas regiões mais turísticas a reação era bem mais agressiva, provavelmente resultado da falta de educação dos turistas, que fazem verdadeiros safaris humanos.

(Alegria na rua, Nampula, Moçambique)

(Gente de todo lugar)

GogoJob: Quem inspira você na fotografia?
Seu Lima: Estudo muito os clássicos como Henri Cartier-Bresson e Robert Capa; alguns malucos como os incríveis do Bang Bang Club, João Silva, Kevin Carter, Greg Marinovich; alguns contemporâneos geniais como James Nachtwey e Steve McCurry; também vejo muito fotógrafos que têm acervos gigantescos, como Sebastião Salgado; caras com uma linha bem definida como Araquém Alcântara; fotógrafos marginais ou amadores como Vivian Maier; além de muitos amigos talentosos que me ensinaram muito com suas fotos. Mas a inspiração vem de todo canto... Ilustradores e quadrinistas também ensinam muito sobre enquadramento: Miguelanxo Prado, Moebius, Frank Miller, Joe Sacco. Todas as artes têm algo pra ensinar.

(Nampula, de viagem pra Ilha de Moçambique)

(Ilha de Moçambique)

(Grande Hotel, que já foi o maior hotel do país, na Beira, Moçambique)

GogoJob: Acha que a fotografia ajuda na sua profissão? Em que sentido?
Seu Lima: Eu me envolvi tanto nisso que penso que a fotografia é uma nova profissão. Talvez um dia chegue a ser a principal. Penso nisso com alguma frequência. Hoje é meu pé em outra coisa, é o que mais estudo quando estou fora da agência.

Um criativo pode ganhar muito ao estudar fotografia. Lembro de um cliente de uma construtora que reclamava das perspectivas internas dos empreendimentos dele, que sempre pareciam menores que as do concorrente. O 3D estava sendo renderizado com uma lente menos angulada. Outro exemplo: um ensaio fotográfico num lugar feio pode ser salvo por uma lente mais clara, bem aberta, uma escolha estética que só poderá ser feita por um criativo que entenda o básico de fotografia. São inúmeros os casos onde esse conhecimento pode fazer muita diferença.

(Menina e sua boneca de pedra, Tete, Moçambique)

(Assentamento da Vale, Tete, Moçambique)

(Festival em Swaziland)

(Terra seca? Não, a pele de um elefante)

GogoJob: Que equipamento você usa?
Seu Lima: Comecei com uma Nikon D60, mais precária, e fiz muitas fotos com ela. Hoje tenho um kit melhor: uma 5D Mark II e uso a 550D como backup. A Canon 24-105mm f/4 é a companheira de sempre. Robert Capa dizia, "se uma foto não está boa o suficiente, você não estava perto o suficiente". Ninguém precisa de equipamentos fantásticos se quiser fotografar bem. A exigência por equipamento tem mais a ver com trabalho. Quando estou trabalhando, uso lentes mais claras (pra evitar o flash), como a Canon 70-200mm IS USM f/2.8, Canon 50mm EF f/1.8 e Canon 85mm EF USM f/1.8.

(Contraste numa tribo local)

(Pés descalços, algo comum de se ver por aqui)

GogoJob: Existe algum projeto envolvendo a fotografia que você queira fazer nos próximos tempos?
Seu Lima: Acho que é o que vai acabar me tirando de agência. O projeto que posso falar é o que está mais próximo: botar a família numa Kombi e visitar uma amiga em Pucón. Não é nada com uma finalidade específica. É o nosso "On the Road". Dificilmente voltaremos os mesmos.

(Nampula e sua influência árabe, Moçambique)

GogoJob: Se fosse escolher a sua melhor foto, qual seria? E por que?
Seu Lima: Eu gosto desta (abaixo). Ela era uma lenda em União dos Palmares; ninguém sabia ao certo se era homem ou mulher. Era meio louca. Sorria sempre, muito. Foi a primeira vez que eu tive uma atitude fotográfica: fui lá e apertei o botão, com medo, mas com muita vontade de não perder a personagem. Fiz a foto com uma câmera amadora. Ali eu vi que o contato entre meu olho de vidro e os olhos reais dos "assuntos" me faziam muito bem.

(A foto preferida de Seu Lima)

Seu Lima finaliza a entrevista com um agradecimento: "Quero agradecer muito a Zeca de Oliveira, que me ensinou muito sobre fotografia e abriu essa porta gigante na minha vida. Um abraço ao amigo."

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