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14/mai/13 por Candy Ferraz

Entrevista com Anna Terra: quem é o Gestor de Conteúdo Digital?

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A comunicação deu um salto e a gente já discute isso há tempos. A Internet chegou chegando, as marcas precisaram (e precisam!) requebrar para entender esse novo ambiente e as discussões de "quem vem primeiro: o relacionamento ou a venda?" continuam em voga. Os tempos sempre foram outros, mas agora, mais que nunca. Muito além de novos meios, é a vez dos novos consumidores. Mais que uma revolução digital, vivemos uma revolução humana e comportamental - sobrevive quem é capaz de empolgar.

E como bem escrito no Webinsider, o que acontece agora ainda não é nada: "as empresas precisam acompanhar o ritmo e não só dominar o presente, mas antecipar o futuro". Eis que surge o profissional de conteúdo digital, aquele responsável pelo tal encantamento do antes, durante e depois. Para entender melhor tal função, conversamos com Anna Terra, que já foi nossa colaboradora, e é Gestora de Conteúdo Digital da Ampla - uma das maiores agências do Nordeste e o primeiro núcleo de criação digital estruturado no Nordeste.

1. Quem é o gestor de conteúdo digital?

Acho tão complicada essa questão dos nomes dos cargos em publicidade haha :P Sempre me deram dor de cabeça. Mas compreendendo a estrutura de que temos Redatores Digitais, que são aqueles que fazem o dia a dia das redes sociais, bem como desenvolvem ações para os clientes na internet de forma geral, o Gestor de Conteúdo Digital seria aquele que coordena esses redatores. Mas os redatores também são gestores de conteúdo, afinal, eles precisam ter conhecimento e feeling para fazer acontecer o que pode sair de melhor para cada cliente, cada post, cada comentário. Enfim, a coisa se mistura um pouco, né?

Aqui na Ampla as coisas são muito integradas. Eu, enquanto Gestora de Conteúdo, estou sempre discutindo as publicações com os Redatores, pensamos juntos nas ações, em estratégias de conteúdo, vemos juntos referências, discutimos sempre. E o núcleo de Monitoramento também faz parte do processo de construção do conteúdo de forma muito ativa, sabe. Analisando os resultados, as crises e nos mostrando insights a partir do engajamento obtido anteriormente. Enfim, é uma coisa bem completa.

Então, se fosse pra separar e ficar mais fácil de entender, eu diria que os Redatores Digitais são aquelas pessoas imersas nos seus clientes, que vivem o dia a dia nos mínimos detalhes e precisam entender a fundo cada peculiaridade da marca que estão cuidando. E o Gestor de Conteúdo é aquela pessoa que vê o todo dos clientes, de todos os clientes, trabalhando de forma estratégica pra planejar a comunicação digital deles como um todo, usando o conteúdo e o monitoramento como ferramenta.

2. No processo clássico, a criação recebe um briefing, conversa com o atendimento, faz um brainstorm e compreende o que o cliente deseja comunicar. Na era digital, o método não se aplica: é necessário entender, de fato, a filosofia da marca, conversar com o consumidor, manter o diálogo e vestir a camisa de ambas as partes. Isso exige outro nível de dedicação e responsabilidade na hora de pensar postagens, campanhas e ações?

Sabe que eu acho que esse cenário está mundando? Pelo menos aqui na Ampla nós estamos tentando encarar tanto a criação "clássica" como algo mais profundo, quanto estamos querendo deixar a criação "digital" um pouco mais abrangente. E isso consiste em mudanças estruturais e de processos que podem ser complicados, lentos e dolorosos, afinal, mexer numa estrutura que já está aprovada, dando certo e caminhando com as próprias pernas há anos e algo delicado de se fazer. Mas também temos a vantagem de estar "começando" com essa parte digital e já estar implantando processos que fazem parte desse modelo que já dá certo há tanto tempo.

O que eu quero dizer com isso é que estamos trabalhando para implantar o melhor dos processos "clássicos" no dia a dia do "digital". Briefings organizados, com prazos razoáveis, planejamento estratégico anual, brainstorms envolvendo diversas áreas, integração com ações promocionais. Enfim, sabemos da importância de deixar as coisas um pouco mais "formais" para dar certo.

Ao mesmo tempo que temos plena consciência de que, além dessa parte, também tem o toque emocional da coisa, afinal, os Redatores Digitais se envolvem de uma forma diferente com a marca. E é quando a gente extrapola um pouco os processos e se torna um núcleo que vai além e sempre tenta propor uma coisa nova, ver de uma forma diferente.

3. O gestor de conteúdo digital nasceu com a web 2.0 ou ele apenas se modernizou?

Ele evoluiu, assim como evoluiu a comunicação de forma geral. Sempre houve gente que geriu conteúdo, em todas as mídias, pra muitas marcas. Esse gestor de conteúdo digital cresceu com a web 2.0 mas não nasceu com ela. As pessoas aprenderam (e ainda temos muito o que aprender) a usar essa gestão de conteúdo e de informação para as redes sociais e todas as mídias digitais.

4. Há quem diga que o profissional de conteúdo digital é uma mistura dos profissionais de relações públicas, psicologia, jornalismo e publicidade. Como você entende isso?

Gente, que salada! hahahaha :) Mas é isso mesmo. Assim, eu não acho que devemos separar por formação acadêmica, afinal, em publicidade temos muita gente que não é formado em publicidade e que vem de design, jornalismo e até mesmo direito, como Maurício Nunes, meu chefe. Esse meio digital tem as portas abertas pra essa "diversidade" que é tão importante pra gente. Então eu diria que o profissional de conteúdo digital é uma mistura daquela pessoa que sabe escrever bem, com aquela que gosta de ouvir o problema dos outros numa mesa de bar, e aquele que gosta de ver todo tipo de filme. Também é aquela pessoa que sempre tem uma boa música pra indicar, misturado com aquele que veste umas roupas diferentes e com aquela que sabe tudo sobre o céu, a terra, a água e o ar. É aquela pessoa que tem intimidade com a internet e navega por tudo que é site, que presta e que não presta, e tem sempre uma referência na ponta da língua quando precisa exemplificar alguma coisa. O profissional de conteúdo digital é visual, é textual, é musical, é de tudo um pouco. E se aí no meio tem publicidade, jornalismo, relações públicas, psicologia, engenharia, medicina, economia e tudo mais, é uma consequência.

5. Gestor de conteúdo, analista de redes sociais, social media. Finalmente, existe diferença?

Ah como essas nomeclaturas todas me incomodam. :P Eu lembro que um dos primeiros "jobs" que eu tive aqui foi saber qual seria o nome do meu cargo. E eu sei que a mesma coisa aconteceu com Lucas David, ~Head Digital~, quando foi pro Gruponove. Porque a gente precisa tentar passar uma impressão do trabalho que a gente faz para as pessoas, mas isso termina deixando as coisas muito limitadas. Tipo, aqui nós temos os redatores digitais, mas eles não são apenas redatores. São fotógrafos, roteiristas, advogados e até diretores de arte quando é preciso. Então assim, essa nomeclatura é meio chata e limitadora, gosto não. Mas, chamando como for, quem faz o seu trabalho bem feito vai se destacar mesmo se assinar como o "menino da internet", como qualquer um de nós é conhecido. :P

6. Como o núcleo digital é visto dentro de uma agência "tradicional"?

É uma experiência e tanto. Eu não tive oportunidade de trabalhar numa agência só digital, mas eu acho que é muito bom pra gente ter o suporte de uma agência inteira. Deixa as coisas muito mais encorpadas, sabe? A gente ter um departamento de mídia completo e experiente pra gente aprender, um núcleo de produção que consegue viabilizar muita coisa, uma produção de RTVC que serve tanto as campanhas super produzidas da agência "tradicional" como também tá tendo que desapegar de muita coisa pra produzir nossos vídeos de baixo custo pro Youtube, um núcleo de atendimento que lida com grandes clientes, que tem uma puta estrutura pra dar um suporte pra gente, é muito positivo de forma geral. Além disso, a gente tem a criação, né? Hoje o núcleo digital é totalmente integrado com a criação, todo mundo junto, na mesma sala, no mesmo balaio. E isso ajudou muito a gente a melhorar a integração das coisas. Porque por mais pareça só um "detalhe", a proximidade física ajuda muito nos processos do dia a dia. Então ser a parte digital desse todo completo, integrado e encorpado é muito bom para o nosso trabalho. Claro que a gente tem alguns empecilhos por conta disso, afinal, uma agência de grande porte tem todos os processos, burocracias e detalhes que fazem ela funcionar bem. Mas isso às vezes atrapalha o nosso ritmo e a gente tem que ir driblando, faz parte também. Sempre terá seus prós e seus contras, mas acho que o saldo é muito positivo.

7. Como o setor de conteúdo é visto dentro do núcleo digital?

Acho que essa é uma pergunta pra fazer pra alguém de fora, afinal, é difícil falar pelos outros de como eles nos vêem. Mas acho que de forma geral, nós somos um núcleo que propõe muito além da pauta do dia a dia, que cria fora da pauta, que cumpre prazos inacreditáveis pra viabilizar ações, que sabe que tem que abrir mão de algumas coisas (como algumas noites de sono, algumas palavras desaforadas e até de algum dinheiro no final das contas) pra viabilizar um projeto que a gente acredita que vai valer a pena pro cliente, pra agência e pra gente. Acho isso muito massa. Somos um núcleo que acredita que algumas coisas que a gente faz podem mudar um pouco as marcas, as pessoas, o dia. Acho que somos gente boa e queremos o bem. Não sei se é muito assim que nós somos vistos, mas eu adoraria que fosse. :)

8. "Ah, então você trabalha o dia inteiro no Facebook e Twitter" - ainda existe um certo preconceito em relação ao profissional de redes sociais e mídias digitais ou falta as pessoas despertarem para as novas profissões que surgiram com a modernização da comunicação?

Acho que isso tá caindo cada vez mais. Hoje é uma profissão desejada e isso ajuda para que ela seja reconhecida e respeitada. Se tem muita gente querendo ser esse "cara da internet", não pode ser só porque você passa o dia no Facebook. E se é por isso, meu amigo, você está fazendo isso errado. É como se você optasse por ser, sei lá, sorveteiro porque passa o dia com sorvete na mão. Não é por aí. Acho que tá caindo esse preconceito no mercado de forma geral. Mas sim, você vai continuar tendo problemas para explicar isso para sua família até daqui umas 3 gerações.

9. “Curti, quero ser gestor de conteúdo”. Quais o perfil que um profissional dessa área precisa ter?

Eu sempre digo que a principal coisa é: gostar de gerir conteúdo. Você tem que gostar, cara. Na boa. Não adianta querer entrar aqui planejando ser o cara das maiores campanhas da agência. Ser o cara que vai criar ações gigantescas. Almejando ganhar o mundo com super produções digitais. Você tem que gostar do dia a dia. De ser o porteiro de uma das principais portas de entrada de uma marca. E se for aqui na Ampla, de grandes marcas. Então você tem que gostar de se relacionar com as pessoas na internet, de escrever, de criar, de conversar. Você tem que ter boas referências, curtir marcas, ver o que elas postam, o que bomba, as tendências, tem que ser ~antenado~, mora? Você tem que gostar de ter esse desafio de fazer diferente todo dia, mesmo quando tudo parece meio repetitivo. Se você pode fazer grandes campanhas? Sim. Se você pode fazer super produções digitais? Sim. Se você pode ganhar prêmios, ter ideias geniais que vão pra rua e tudo mais? Sim, você pode conseguir isso sendo gestor de conteúdo. Mas, na boa? Não tenha isso como foco nem como objetivo, que pode ser frustrante. Isso tem que ser a consequência dos eu trabalho, o plus, o algo mais. Você tem que gostar do que vai fazer 90% do tempo, que é desenvolver conteúdo.

10. Deixa alguma dica de sites bacanas para encontrar fontes e inspiração, além de profissionais que são referência.

Acho que a melhor fonte de inspiração são as várias páginas do Facebook, perfis de Twitter, contas do Instagram que tem por aí. Não só de marcas, mas de todos os assuntos. Essas que surgem e bombam, ou que são um fiasco e você não entende por quê. Você olhar muito disso, analisar e ir notando o que dá certo e o que não dá é muito bom. Você não vai ficar num site "sugando" referências já escritinhas, infográficos bonitinhos, nem nada. Você vai fazer a sua análise, tirar suas conclusões, acho que isso vale mais do que decorar tudo que pesquisa e apresentação sobre conteúdo. Não adianta eu dizer aqui uma lista de 10 sites que todo mundo conhece e você ter as mesmas referências que todo mundo. Você deve ver esses sites que todo mundo vê, claro, eles são bons, têm um conteúdo muito bom e vão fazer você entender as conversas de happy hour e almoço feliz dos publicitários. Mas acho que todos devem criar suas próprias referências. Achar um diretor que tem filmes que você curte e ver vários dele, descobrir bandas novas numa rádio online, entrar nesses portais de notícia e ler o que tá saindo de mais banal, bizarro ou lindo e ver como tá repercutindo por aí, ler colunas de opinião, blogs de todos os segmentos. Enfim, eu acho que a melhor fonte de inspiração é você ser um coolhunter diário, e buscar, seja onde for, tendências e coisas legais. Isso vai ajudar sempre.

Para quem não conhece, Anna tem um blog muito legal cheinho de ideias: www.ideiasdefimdesemana.com

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Comentários

  1. Autor:
    Gabi Medeiros
    Cidade:
    João Pessoa
    Estado:
    PB
    Data:
    14/mai/13
    Hora:
    12:57

    Ótima entrevista! A Anna faz parte das minhas referencias nessa vida de social media. Ela e várias coisas que ela indica. Um exemplo de profissional, quando crescer quero ser como ela :D

  2. Autor:
    Stela Oliveira
    Cidade:
    Recife
    Estado:
    PE
    Data:
    15/mai/13
    Hora:
    4:50

    Muito centrada e com visão estratégica de Midias Sociais! Muito boa entrevista.

  3. Autor:
    Bibi Sá Brito
    Data:
    16/mai/13
    Hora:
    14:11

    Anna Terra, garota esperta!!!

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