/Formação

06/jun/13 por Ana Priscila Gesteira

Entrevista com Max Leal, publicitário paraibano que será homenageado em Gramado

FacebookTwitterPinterestEmail

Max Leal, publicitário e proprietário da Três Comunicação, uma das mais conceituadas agências de publicidade da Paraíba, vai receber o troféu Publicista Latino-Americano no 19º Festival Mundial de Publicidade de Gramado, junto com mais 30 profissionais de diferentes países e estados brasileiros. Conversamos com ele sobre profissão, mercado e outras coisas que você confere na entrevista.

GogoJob - Qual a sensação de representar a Paraíba no 19º Festival Mundial de Publicidade de Gramado e receber o troféu Publicista Latino-Americano junto com mais 30 profissionais de diferentes países e estados brasileiros?

Max - A melhor possível. Quando a ABAP-PB (Associação Brasileira de Agências de Publicidade-Seccional Paraíba) me indicou, senti a recompensa de dedicar algum tempo e trabalho ao mercado. Não por subir ao palco, tirar foto. A homenagem em si é muito legal, mas o que me envaidece mesmo é o reconhecimento dos colegas. A escolha foi unânime, em reconhecimento ao trabalho na presidência da ABAP-PB, que foi avaliado pelas agências de forma positiva. Ser un publicista latino americano, si. Pero sin perder lo foco.

GogoJob - O que te levou a desistir do Jornalismo, sua formação inicial, e entrar de cabeça na Publicidade?

Max - Nossa! Lá se vão 15 anos, uma série de eventos desordenados, e não necessariamente conectados entre si, diria. Primeiro, ainda durante a graduação, abrimos, eu e mais quatro sócios (Lula e Allysson da Faz; Rayner da Ponto R; e Wilbor, da extinta Hall e hoje superintendente do porto de Cabedelo). A primeira empresa de assessoria de imprensa da Paraíba, a Mundo Livre Comunicação LTDA. Depois, fiz minha primeira pós em Marketing, Publicidade e Relações Públicas e obtive um título acadêmico na área, do LCCI (London Chamber of Commerce and Industry). Daí, quando voltei ainda passei dois meses como jornalista em um jornal local, o que foi um golpe fatal. Detestei a falta de estrutura, o salário baixo, o barulho da redação - eu não conseguia escrever! Quando a Duda Mendonça me chamou para ser redator lá, ‘publicitei-me’ de vez. Lá, adorei a experiência de estar produzindo algo que saia no horário nobre. Adorei o ambiente descolado de uma agência e disse pra mim mesmo: “achei minha turma”.

(Max ainda tem um pé no jornalismo, apresentando o programa Business Club, veiculado na RCTV)

GogoJob - Nos últimos 10 anos, muitas mudanças econômicas e tecnológicas aconteceram. Pra você, como a publicidade acompanhou as mudanças mundiais e locais?

Max - Do jeito que deu. Acho que a velocidade com que as mudanças ocorreram pegou muitas agências desprevenidas. Ainda hoje vejo campanhas que saem do forno com cheiro e tempero da década de 80. É claro que as maiores, mais estruturadas, a liderança do mercado nacional e dos mercados regionais tratou logo de compreender tudo e se adaptar. Por isso, vemos tantos formatos diferentes de agências. Há as que acentuaram suas parcerias com fornecedores de web, há as que criaram núcleos digitais e há as que se reposicionaram por completo, que foi o caso da Três. Não creio que exista fórmula ideal. Acredito em estratégia e isso é próprio de cada CNPJ.

GogoJob - As agências de publicidade da Paraíba deixam a desejar ou são capazes de disputar contas grandes com qualquer agência do país?

Max - Veja, sempre tive uma visão muito crítica da produção publicitária na Paraíba, e essa análise inclui todo mundo. Vejo agências, fornecedores, veículos e clientes errando feio, sobretudo quando alguém aparece com aquela ideia brilhante de dar um jeitinho aqui, uma enxugada ali, apertar o prazo acolá. Antes que alguém me cutuque, a Três também comete erros. Da mesma forma, vejo ações interessantes, ideias ousadas de agências paraibanas. Não sou ufanista a ponto de dizer que nosso mercado é fenomenal, que fazemos milagres com muito pouco. Muito menos ignoro o potencial enorme de agências que já ganharam prêmios a nível regional e nacional. O que estou dizendo é que, cada vez mais, o ponto não é de onde a agência é, mas o que ela pode fazer com o talento que tem.

GogoJob - Só sobrevive no mercado paraibano se tiver conta governamental? A Três veio ter conta de governo de uns quatro anos pra cá. O que mudou na agência depois disso?

Max - A dependência de nosso mercado em relação às contas governamentais é uma realidade e é um traço ruim. Não sou contra a ação publicitária por parte de governos e parlamentos, muito pelo contrário, acho que tem que haver. O que me incomoda é a dependência do mercado. Torço, trabalho e projeto um futuro, não muito distante, em que teremos tantos CNPJs para atender que os governos e parlamentos serão, apenas, outros clientes com suas particularidades. Para nós, da Três, não muda: somos uma agência de perfil acentuadamente técnico. A gente se esforça para fazer bem feito. Portanto, se o cliente é o governo do Estado da Paraíba, a prefeitura de qualquer cidade, a assembleia ou uma construtora, a gente vai fazer o que aprendeu: comunicação de conteúdo.

GogoJob - Que tipo de profissional faz parte das agências? Qual setor da agência é mais difícil de achar profissional para contratar?

Max - Acho que o sujeito, pra ser de agência, tem que não ser convencional. Os profissionais das agências são, por princípio, pessoas de conhecimento generalista, irrequietos, curiosos. Na Paraíba, o profissional mais raro de se encontrar hoje, na minha opinião, são os redatores publicitários. Não raro, encontrarmos bons redatores de ideia, mas que têm dificuldade de concatenar textos de miolo, ou um pouco mais extensos, para um catálogo, por exemplo. Temos muitos diretores de arte. Temos também bons redatores, mas em menor número e disponibilidade.

GogoJob - Suas duas maiores paixões, depois das filhas, é claro, são publicidade e surfe, certo? Dá pra comparar o surfe com a publicidade?

Max - Vocês acertaram em cheio. Das muitas paixões que tenho, a música também é uma delas, surfe e publicidade vêm logo ali, coladinhas em Clarisse, 11, e Cecília, 6. Dá sim, pra comparar. Tem muitas semelhanças. Por exemplo, as duas atividades exigem capacidade técnica elevada. As duas atividades exigem preparo: no caso do surfe, o preparo do corpo é preponderante; no caso da publicidade, a mente. As duas atividades exigem foco absoluto. Surfe e publicidade não admitem que você as pratique assistindo à TV. Tem que prestar atenção, senão a queda é certa e o resultado é fraco. As duas exigem planejamento. Antes de anunciar, o cliente toma uma série de decisões, assim como o surfista antes de cair na água. “De que tamanho estão as ondas?” é uma pergunta muito parecida com “de que verba disponho para atingir meus objetivos?”. As duas atividades também são muito competitivas. Surfistas são competidores natos, toda onda é disputada. Assim como cada anunciante do mercado é disputado pelas agências. Enxergo pelo menos uma diferença bem significativa: publicidade é uma atividade coletiva. Não se faz uma campanha sozinho. Mas, dentro de um tubo, só cabe um. Do drop à espuma, surfar é uma atividade solitária. No meu caso, há um ponto de conexão: grande parte das decisões de gestão da Três foram tomadas dentro d´água. Acho que o momento de relaxamento propicia uma leitura mais privilegiada dos fatos em que estou envolvido. Reflito muito sentado na prancha.

GogoJob - Qual a principal característica para alguém se reconhecer publicitário?

Max - Talento.

GogoJob - O que você ainda não fez profissionalmente e que ainda esta na sua lista mental de "isso eu ainda faço nem que seja antes de morrer!"

Max - A lista é grande – e impublicável. Mas não sofro caso não consiga. Tenho objetivos profissionais, como todo mundo. Algo que tem se repetido na minha cabeça ultimamente é que não quero ser periférico. Quero fazer algo relevante para a vida das pessoas. Objetivamente, gostaria de, por exemplo, lançar um produto ou serviço que fizesse os clientes viverem mais felizes. Algo como o Viagra, o Iphone, o carro voador, as viagens especiais da Virgin, o crescimento econômico da Paraíba, por exemplo.

GogoJob - Qual campanha você olha e pensa: "Essa eu queria ter criado"?

Max - A The Fun Theory, uma iniciativa da Volkswagen. É tudo genial! O propósito “Fun can obviously change behaviour for the better”, as ideias, a execução. Passei a enxergar a vida de uma outra forma depois de ter tido contato com as peças.

Para fechar a entrevista com chave de ouro, confira duas peças do projeto The Fun Theory:

Tags relacionadas

Envie para um amigo

(Use a vírgula para informar mais de um endereço)

0

Comentários

/Outras Seções

/ Twitter @ GogoJob

"Diretor de Arte – Fortaleza http://t.co/GOCCGWC6l6 #GogoJob"
"Estágio em Direção de Arte – João Pessoa http://t.co/s5ZK9GaFU4 #GogoJob"
"Estágio em Redação – João Pessoa http://t.co/ZgQZFNK7io #GogoJob"
"Designer Gráfico – Recife http://t.co/0DKHnIFrp5 #GogoJob"
"Estágio em Redação – Recife http://t.co/JGh1zxBNOx #GogoJob"
"Confira as nossas últimas vagas - http://t.co/ycMdi5gyhz #GogoJob"
"Designer Gráfico – Recife http://t.co/ynPZ1zIkpD #GogoJob"
"Diretor de Arte Júnior – Recife http://t.co/n1lreZVRfh #GogoJob"
"Entrevista com Max Leal, publicitário paraibano que será homenageado em Gramado - http://t.co/wnWj9eybsr #GogoJob"

2004-2019 © Todos os direitos reservados Gogojob
Empregos e Formação Publicitária no Nordeste
Desenvolvido por Concepto Internet, utilizando o WordPress