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06/nov/13 por Agnes Pires

Desvendando o Storytelling

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Já li vários autores e sites sobre o tema e alguns falam uma coisa, outros falam outra, não dizendo uma fórmula fixa, sem diferenciar o que é e o que não é storytelling” é uma das coisas que eu mais ouço de alunos, sempre que começo algum curso. Entendo o desespero. Eu fiz um estudo aprofundado na bibliografia sobre storytelling em 2007 e depois de ler tudo o que havia sido escrito a respeito do tema, eu ainda mal sabia por onde começar.

Fórmula fixa é uma coisa que vai ser difícil de encontrar, até porque se alguém fizer uma fórmula funcional pra storytelling na comunicação, vai parecer que é coisa de física avançada. São muitos vetores a serem considerados. O que existem são modelos aplicáveis a certos tipos de desafios. Para a publicidade, por exemplo, criei um modelo que é o que explico ao longo de 21 horas de curso na Oficina de Escrita Criativa.

Se existe uma regra de ouro e imutável, é que storytelling sempre será sobre pessoas... e de pessoas para pessoas. Vira e mexe, alguém pergunta se uma marca não pode ser o personagem. Até pode, mas é raro. Pense na animação Wall-e e vai ver que o personagem principal não é uma pessoa, mas um robô. Mas justamente esse robô age como se fosse uma pessoa. O mesmo vale para a bola Wilson de Náufrago: ela não é uma bola de vôlei qualquer, ela é uma bola de vôlei com uma mão estampada. Aí ela deixou de ser produto e virou personagem. Para qualquer marca poder ser personagem, ela precisa ser personificada. Do contrário, como marca, ela pode participar da história de outros personagens.

Voltando à questão da fórmula podemos considerar que existem duas fórmulas para storytelling, simplesmente porque existem duas grandes fontes de informação: memória e imaginação. De certa forma esse é o critério que as livrarias adotam ao separar os livros em sessão de ficção e não-ficção.

Na publicidade, um bom exemplo de uso da memória foi feito pela Procter & Gamble para as olimpíadas. Esse anúncio consegue triunfar na questão da emoção, sem perder de vista o consumidor, que é a mulher que se dedicou a ser mãe. Na outra fonte, um case interessante do uso da imaginação está sendo desenvolvido pela Storytellers para a Richester. São meses de trabalho para personificar os atributos dos produtos ao transformar mascotes em personagens e, depois, personagens em heróis da marca.

A internet comprova esse princípio. O fenômeno do Facebook depende exclusivamente do conteúdo feito pelos usuários, e eles anunciaram que a timeline é uma forma de contar histórias, mas ao somar as milhões de histórias de pessoas do mundo todo, até hoje a plataforma não rendeu sequer um livro publicável. Não que as histórias não sejam boas, mas via de regra vai faltar um acabamento técnico para que as pessoas realmente pagassem dinheiro por elas. Nesse sentido, o Netflix deu um passo à frente ao ir além de ser um intermediário de conteúdo e passou a produzir suas próprias histórias. O seriado House of Cards provou o acerto na estratégia. Fica aí a dica para o Gogojob: que tal produzir um conteúdo próprio para a marca? Algo no estilo de um Madmen à brasileira? Aposto que muita gente iria curtir: produtoras, patrocinadores e, claro, os leitores.

Quem quiser aprender a dominar essas técnicas, vai precisar controlar a ansiedade. Por mais que as informações estejam na internet, existe um tempo de treino e maturação. Além disso, a prática é fundamental: um jogador de futebol treina todos os dias para jogar duas vezes por semana. Não é por acaso que sempre que se mostra um escritor em uma história, ele está sentado ao lado de um cesto de lixo cheio de bolas de papel. Nesse sentido, os cursos ajudam bastante, no mínimo para inspirar e com alguma dedicação, para revelar conhecimentos. Pronto, agora, pelo menos, você já sabe por onde começar. Boas histórias.

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Fernando Palacios é um dos pioneiros de advertelling e branded content no Brasil. Inovou implementando o primeiro portal de conteúdos de marca e o primeiro curso universitário de Transmídia Storytelling na ESPM. É formado na USP, onde defendeu o primeiro estudo acadêmico sobre o tema Storytelling. Desde então ministra palestras e cursos no Brasil e internacionalmente. Como um laboratório de conteúdos, seu projeto pessoal narra a busca de um personagem pela Próxima Maravilha da Humanidade e já conta com mais de 90 mil seguidores no Facebook. [palacios@storytellers.com.br ]

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O autor estará em Recife entre os dias 24 e 25 de janeiro de 2014  para ministrar o curso "Desvendando o Storytelling" e nós estamos apoiando este evento. Para saber mais, clique aqui.

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Comentários

  1. Autor:
    Marcello Trigo
    Cidade:
    Recife
    Estado:
    PE
    Data:
    07/jan/14
    Hora:
    16:56

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