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27/ago/15 por Susy Lima

A Piragrafia de Caio Neiva



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O artista plástico Caio Neiva, de Olinda, contou pra gente algumas dicas sobre caligrafia e letterings e como deu vida ao seu projeto "PiraNelas", em que usa corpos nus para fazer interferências caligráficas. Confira:

Sabemos que a Tipografia é mais um recurso de expressão que um designer ou um D.A tem para passar uma mensagem visual, e representa grande parte de uma peça gráfica ou marca. A escolha de uma fonte pode simplesmente assassinar ou salvar um layout. O lance é que a escolha tipográfica significa escolher entre fontes prontas e que geralmente já foram muito usadas. E é aí que se decide por uma construção de um lettering ou uso da caligrafia para compor um layout. É possível dar um toque mais particular e (ou) pessoal a um título, pequeno texto ou uma marca.


(do livro: Abridores de Letras de Pernambuco)

A diferença entre lettering e caligrafia é que no lettering é preciso desenhar todos os traços que compõem a forma de uma letra. Na letra "o", por exemplo, devemos desenhar as duas elipses, a externa maior e a interna menor. Para a construção de um lettering responsa, deve se ter noções de anatomia tipográfica, kerning e ajustes óticos. O estudo combinado com a prática em cima de referências é evolução na certa. Quando eu trabalhava em agência, estava sempre rabiscando entre um job e outro, e o behance é um prato cheio de referências de letterings de qualidade.


(Lettering de Panco Sassano)

Quanto à caligrafia, você de fato escreve as letras e dependendo da ferramenta e angulação, obtemos efeitos variados que se expressam de maneiras diferentes. São inúmeros alfabetos, técnicas e ferramentas. Um livro que recomendo é A arte da caligrafia de David Harris. Um ótimo guia, aliás, considerado por muitos como a “Bíblia da caligrafia”.


(Caligrafia de Jackson Alves)

Não sei exatamente quando o meu interesse por letras começou, mas um dia desses achei uns desenhos da época de colégio que já se arriscavam nesse mundo. Uma coisa que me ajudou muito e me deu certa vantagem em termos de prática é que no colégio eu tinha amigos de sala que pichavam, e me ensinaram uns alfabetos e algumas firulas. Pra quem já tinha dificuldade de prestar atenção na aula, acabar as folhas do caderno muito antes do normal foi um ótimo passatempo.

Sempre desenhei, fiz arte e, ainda na adolescência, comecei a grafitar. Colei com um amigo de infância que já grafitava e passei um bom tempo nessa. De novo as letras estavam lá, assim como a prática diária no caderno. Aqueles nomes grandes e "cheios" comuns nas ruas do Recife são espécies de lettering, e as assinaturas (tags) são caligrafias e, igualmente, formas de se expressar. Eu não tinha um estilo próprio, então cada grafite na rua era uma experimentação diferente (acredite, grafitar é bem difícil). Assim como o grafite, deixei as letras de lado por um tempo sem muito motivo aparente.

Alguns anos depois, estudante de design e estagiário de uma agência em Recife, uma amiga me disse que queria ser pintada nua, não por mim especificamente, mas por qualquer pessoa apta. Topei na hora como se fosse convite. Disse que ia fazer com caligrafias; mostrei uma referência e ela curtiu. Combinei que faria na condição de produzir um ensaio fotográfico e poder divulgar livremente. O detalhe é que eu não praticava caligrafia há tempos, nem aqueles tipos que mencionei antes. Então eu comprei penas de ponta quadrada, comecei a praticar e resolvi abrir uma conta no instagram para me cobrar uma produção diária. Tinha que dar um nome, quebrei um pouco a cabeça, e percebi que eu não queria começar mais um projeto de caligrafia que escrevesse frases, mas sim que subvertesse o sentido usual das letras e não formasse palavra alguma, apenas se expressasse pela forma das letras e os seus encontros. Piragrafia foi o nome, a escrita da minha piração da época. Fiz um workshop com Jackson Alves (que recomendo muito), pratiquei, desenvolvi um estilo e corri atrás de uma locação, equipe de vídeo e fotografia (não poderia ter arranjado galera mais massa). PiraNelas é o nome desse sub-projeto.

Pira Nelas from Piragrafia on Vimeo.

Aconteceu tudo muito naturalmente, assim como eu me achei nesse estilo artístico, eu achei a coragem e motivo que procurava para sair de agência de publicidade e investir na carreira artística. Hoje, tanto nas obras como nos trabalhos de design, eu prezo pelos trabalhos manuais e faço disso um diferencial. A linha entre o que é design e arte está cada vez mais tênue e me orgulho disso. O projeto tem um pouco menos de um ano e continua na ativa. Lançou duas coleções oficiais de obras e uma edição do PiraNelas.

Confira o ensaio na íntegra: piranelas.tumblr.com/
Perfis do projeto:
instagram.com/piragrafia
facebook.com/piragrafia

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O GogoJob agradece demais ao Caio Neiva pela partilha :)

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